sábado, 4 de setembro de 2010

Agora, silêncio.

“Você pensa que ficando trancada em casa com uns instrumentos
vai conseguir ser uma grande artista?”


...e, assim, você se pergunta o que está fazendo. O porquê de estar fazendo. Se muitas pessoas que não te conhecem, que não sabem das suas intenções, estão ali dividindo os mesmos sons no mesmo ambiente, será que vale mesmo a pena? Li em algum lugar que “desistir, ainda que não pareça, foi meu grande ato de coragem.” Desistência dos amores (ir)realizáveis, das opções passíveis de falhas, das amizades que se mostraram frágeis, das gentilezas não correspondidas, das idealizações. Das realizações. Você vive. Ponto. Café, ônibus, faculdade, livros, mp4, ônibus, computador, livros, cama. O dia passa sem que você perceba, não dá tempo de pensar. Quando vê, já acabou. Sorriso no rosto, aparência bem cuidada, alguns amigos que tornam a rotina menos cansativa. Uma ligação ocasional. Uma pequena fuga à rotina. Quem sabe até a promessa de um amor. Só a promessa, porque as realizações obviamente fogem. Alguns atritos, já que sem eles a vida não teria graça. Problemas. Adrenalina. Palavrões. Dores de cabeça. Não dá pra gostar de todo mundo. Não dá pra agradar todo mundo. É impossível conviver bem com alguém que representa algo desagradável pra você. E os mesmos amigos ali, próximos, impondo uma barreira entre você e o que te incomoda, sempre com abraços e palavras certas no gatilho. Aí você pensa se vale a pena. Acaba chegando à conclusão de que nem sempre vale. As quatro paredes do meu quarto que me trancam são as mesmas que me libertam. Se a desistência é provisória? Hm, talvez. Sobre a pergunta do início do texto, bom, sempre tive uma resposta pronta. É engraçado, sabe... Sinceramente, eu nunca quis ser uma grande artista. Nunca mesmo. Isso sequer passou pela minha cabeça.

3 comentários:

Fátima Babini disse...

Você vai ser uma grande artista. Ah, se vai. =]

- Tetê - disse...

Desistir pode ser nosso grande ato de coragem. Ou pode ser somente a coisa em que a gente quer acreditar. O que nos sobra é a obrigação (denovo) de recomeçar.

Tamyle Dias Ferraz disse...

se vc for tão bem com os sons como é com as palavras...
tá feita!


abraços