sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Revés de ampulheta.


Recentemente, achei um caderno que me pertenceu aos 6 anos de idade. Meus olhos castanhos discutíveis captaram desenhos, colagens e uma letra trêmula, que ainda estava aprendendo a se auto-afirmar e a ganhar firmeza. A infância presente em cada uma daquelas páginas fez-me lembrar da sensação de estar num lugar onde tudo parece maior do que você mesma. Quando os pés não alcançam o chão ao sentar numa cadeira muito alta ou quando se precisa ficar na ponta dos dedos para visualizar o que se encontra em cima de um balcão. De repente, uma verdade me atingiu como um raio: Todos nós temos um pouco disso. Longe de tudo, não somos nada além de: Uma criança assustada. Apesar dessa certeza irrefutável, continuo não querendo ser tratada assim. Melhor esconder as inseguranças e os temores em uma manta negra e pesada? Talvez. Até gosto de ter dúvidas.

5 comentários:

- Tetê - disse...

Sabe que eu tambem encontrei um caderno desses? Era de redação e o primeiro texto falava sobre um garoto muito corajoso chamado Renato - o nome do meu namorado.
A vida é engraçada. Mais cedo ou mais tarde nossos olhas acabam enxergando sentido nas coisas menos lógicas.

Hilário Ferreira disse...

A dúvida é ímpeto de movimento
"... e é inútil ter certeza..."

Eutímicas disse...

Sabe, adoramos o jeito como escreves, os textos e a sensibilidade. Parabés pelo blog! Podemos te linkar?

Grande Beijo

Cací disse...

Realmente,a maneira como se expressa no texto,deixa nós leitores, meio que dentro da história.Parabéns pelo Blog

Lidiane Dolly disse...

Letra trêmula que hoje não é tão trêmula assim, pelo contrário.
Ganhou firmeza, ganhou destaque, ganhou e ganha o coração das pessoas, e vai ganhar o mundo.
Sério, don't stop. Never.
Como é que se diz, eu acredito no poder da palavra, pois.
Dúvidas? tô fora. Prefiro a certeza das coisas.

[lidiane g.]