quarta-feira, 8 de julho de 2009

Da varanda, ouço música. Uma que nem todos gostam, mas que me toca profundamente. Sim, é em francês. Eu não entendo francês, pelo menos não por enquanto. Quem precisa entender uma letra quando se é tocado por uma melodia? Bom, tenho certa curiosidade em mim e acabei olhando a tradução outro dia. Mais linda ainda. Ahh... Suspiro. Vida, restos de luz, poeira milimetricamente escondida no ar. Aqui mora o silêncio guardião de memórias. Silêncio magnânimo, silêncio de entrelinhas, silêncio de obstinação, silêncio de força. A cantora parece sussurrar nos ouvidos de quem escuta. Meu silêncio sussurra, mas faz isso dentro de mim. Meu silêncio me diz muito sobre quem eu sou e sobre o que eu seria capaz de fazer pelas outras pessoas. E por mim, quem faz? Silêncio. Ele me dá as respostas necessárias. Um dia, quem sabe, eu possa cantar essa música. Sabendo um pouco da pronúncia, eu posso até tentar, sem garantia de sucesso. Vou lembrar daquela tarde em que pensei em silêncio enquanto ouvia melodia. É que ele, por ser ausência, se faz tão presente que apaga qualquer som que venha atrapalhar. Silêncio fala com a gente. Silêncio mente. Mente por não se fazer ouvir, diz a verdade por falar mais do que pretendia.

Uma verdade inventada? Não tenho varanda, mas sempre quis morar em uma casa com uma. A parte do silêncio é feita de desvarios absolutamente verdadeiros.

Um comentário:

Lidiane Gomes. disse...

Antigamente eu me perturbava com o silêncio. Chegava a ser angustiante. Uma sensação de vazio. Sem a voz dos amigos, da família, de som de chuva caindo e até de latido dos cães. Hoje é uma das 'coisas' que mais gosto. Aprendi a pedir e a ficar em silêncio também. Como alguns dizem "se não tem nada bom pra dizer, fique em silêncio". Eu já acho que o silêncio, por si só, é bom. Vai ver que é por isso mesmo. "Silêncio fala com a gente. Silêncio mente. Mente por não se fazer ouvir, diz a verdade por falar mais do que pretendia." Fato. Adorei, flor. *-*